sexta-feira, 29 de abril de 2011

Lisboa cidade de branco - Alterações Climáticas?

Uma forte corrente de ar ascende vertical e inclinadamente arrastando gotículas de humidade para elevadas altitudes encontrando partículas de gelo às quais se agregam caindo graviticamente sob a forma de granizo. São relativamente comuns estas saraivadas, contudo o que se sentiu esta tarde em Lisboa não o foi de todo, carros danificados, bueiros entupidos, inúmeras chamadas para bombeiros, um caso de hipotermia e relatos de que o que havia passado nunca antes tinha sido visto. Em climas tropicais este é um fenómeno mais frequente, contudo no nosso temperado apenas esporadicamente caem as saraivadas.


As alterações climáticas não se vêm directamente pois o pensamento e o hábito da adaptação a adversas situações progride com o afeiçoar aos acontecimentos. Tal como na velha experiência do sapo e da panela onde se um sapo for colocado numa panela de água quente, imediatamente saltará uma vez que o choque térmico lhe foi rapidamente sentido! Contudo, se o sapo for colocado numa panela a uma temperatura amena e lentamente a fizermos aquecer, então ele lá permanecerá até que o salvem da sua inocência. Não nos deixemos enganar pelo hábito e afeição a novos climas pensando que nos poderemos adaptar, Gaia mostra lentamente os escondidos picos nas alterações climáticas e certamente que a chuva de granizo em tais circunstâncias é um deles. A excessiva humidade relativa, a amena temperatura primaveril e a formação de nuvens verticais face à deslocação do vento retratam pequenas grandes anomalias no que outrora fora um clima temperado. Demos o salto...






Zona da Damaia - Lisboa

terça-feira, 26 de abril de 2011

Água: Consumo e Poluição


Rio Ave – Santo Tirso
Água:

É o bem essencial à vida, representa 70% da massa corporal dos mamíferos, contudo água potável disponível para consumo está só e  apenas a 0,024% do total de massa de água no Planeta. 97% encontra-se sob a forma salobra nos oceanos e os restantes 3% compõe: rios, lagos e vapor atmosférico 10%; 70% gelo nos glaciares e montanhas; e os restantes 20% como reservas no subsolo.
Vários problemas de abastecimento têm-se notado face ao crescimento populacional, más práticas de irrigação agrícola representam a maior fatia: cerca de (≈70%) do consumo desmedido de água deve-se à agricultura intensiva. Na sua maioria o bem é consumido da fonte não renovável dos subsolos onde água foi aprisionada durante milhares de anos por entre rochas impermeáveis. O Deserto da Arabia Saudita é exemplo desta má prática onde diariamente é consumida água do subsolo.


            Nesta figura é possível observar os muitos círculos em cultivo de cearas.

Também a Índia consome esta fonte não renovável onde a produção
massiva de arroz, chá, café e algodão tem especial importância.


            Abastecimento de água num poço local.

Como maiores perdas por evaporação especialmente em períodos de seca poder-se-á melhorar substancialmente caso sejam aplicadas formas de rega sustentáveis como a irrigação gota a gota cuja eficiência de irrigação encontra-se em 95%. Outras formas mais simples do combate à evaporação passam pela irrigação noturna, verificação de humidade do solo de modo a regar apenas quando necessário, aplicação de poliagricultura desfrutando de diferentes vegetais no mesmo espaço de terreno, impedir a proliferação da agricultura em solos áridos insustentáveis.

Poluição agrícola:

Dizem-se águas cinzentas aquelas que deixaram de ser consideradas apropriadas para consumo, são exemplo todas as águas de esgoto. Estas traduzem um consumo elevado de água na medida em que grandes massas de água se tornam poluídas.
           Apesar da grande poluição industrial e urbana é a agricultura que mais pesa e prejudica cursos de água em duas grandes vertentes sendo o primeiro e de maior impacte quer geológico quer biológico o dos sedimentos. Más práticas agrícolas como o desrespeito dos cursos de água, cultivando sem deixar limite de leito. Em períodos de cheia, o curso de água natural é alagado, ora, e não existindo leito mas apenas solo cultivado, este será rapidamente levado pela corrente forte das águas, transportando os sedimentos para jusante  e aumentando drasticamente a erosão do solo.
        As águas tornam-se opacas face a concentrações de partículas muito elevadas, afetando de uma forma genérica todo o ecossistema a jusante que muito frequentemente é o estuário de um rio.
          A legislação Portuguesa aponta a que o leito da margem deverá fazer corresponder à maior cheia nos últimos cem anos (Lei da Água: Lei 54-2005), em números redondos, um ribeiro deverá ser conservado aproximadamente por uma margem de 20 metros e para um rio 50 metros. Contudo, na maioria das vezes estas marcas não são respeitadas, estando cada agricultor apenas interessado na maior área de cultivo disponível não notando porém nas consequências graves que dali nascem.
         A margem saudável de um leito é constituída por árvores de folha caduca como freixos e amieiros ou até carvalhos, que permitem a entrada de luz solar no Inverno e garantem sombra e frescura no verão. Pequenos arbustos e plantas aquáticas permitem o abrigo das espécies que habitam no nicho, como peixes, anfíbios, cobras e roedores, insectos e aves.
       A segunda problemática é a da excessiva fertilização agrícola. A fertilização pode ser de origem orgânica como dejetos de animais ou inorgânica com o auxilio de adubos. Ambas na maioria das vezes são amplamente utilizadas na fertilização da área agrícola e sendo aplicados em períodos de chuva e em elevadas quantidades, rapidamente são lixiviados (levados pelas águas) acabando por se depositarem em águas estagnadas causando graves problemas de eutrofização.
         Em lagos e barragens é notória a eutrofização, com o excesso de nutrientes fertilizantes ricos em Azoto e Fósforo, as águas rapidamente se tornam verdes dada a propagação de algas e cianobactérias que se propagam pelas águas  consumindo o O2 dissolvido acabando por matar todo o tipo de espécies aquáticas que precisem desta fonte para sobreviver. As plantas do fundo do lago são destruídas uma vez que a cor verde intensa e opaca à luz solar impede a fotossíntese essencial ao metabolismo acabando por levar à morte toda a zona subaquática.
        A solução desta problemática passa pela aplicação do fertilizante nas doses certas e indicadas a cada cultivo, nunca sendo excessivas e aplicados em períodos secos para que melhor possam ser incorporados no solo.
          Assim estes tipos de poluição contribuem para o consumo de águas que outrora foram potáveis e representam a grande fatia do consumo de água global. A aplicação de uma agricultura sustentável, essencial e destinada ao consumo meramente da população humana deverá ser o caminho a tomar contrapondo o cultivo vegetal destinado à produção animal para o consumo de proteína e mais recentemente na produção de biocombustíveis. Este ultimo representa um mercado fortemente em expansão face aos atuais preços de combustível petrolífero.